AGÊNCIA PAULISTA DE TECNOLOGIA DOS AGRONEGÓCIOS

ESTAÇÃO EXPERIMENTAL DE SALMONICULTURA
Dr. ASCÂNIO DE FARIA
Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão – SP

 

 

 

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PARA SE CRIAR TRUTA ARCO-ÍRIS...

 ...é fundamental a escolha adequada do local, onde as condições ambientais sejam favoráveis ao bom desempenho da espécie. Águas frias, limpas e em abundância, bem como, o conhecimento das técnicas de cultivo são requisitos básicos para o êxito de uma truticultura.
 

ÁGUA
           É o principal fator a ser considerado para a instalação de uma truticultura. Cada espécie de peixe requer um conjunto de propriedades físicas e químicas da água apropriadas para o seu desenvolvimento. Para a truta arco-íris, as principais características são:
1. TEMPERATURA - Os valores compreendidos entre 10 e 20ºC são os indicados para o cultivo, sendo 0 a 25ºC os limites de sobrevivência. Os peixes são pecilotérmicos, isto é, não regulam a temperatura corpórea. A cada aumento da temperatura ocorre um aumento da atividade metabólica. A truta apresenta as melhores conversões na faixa térmica entre 15 e 17ºC, mantendo um bom estado sanitário.
2. TEOR DE OXIGÊNIO DISSOLVIDO (OD) - O teor de OD na água deve ser o de saturação. A solubilidade do oxigênio na água  varia, principalmente, com a temperatura e a pressão atmosférica (TABELA 1). O limite crítico de OD é de 5,5 mg/l, abaixo deste valor a truta tem dificuldade em extrair o oxigênio da água.
3. O pH - O pH deve estar compreendido entre 6,5 e 8,5 sendo 7,0 o valor ideal. Águas ácidas tornam os peixes mais susceptíveis ao ataque de parasitas, enquanto que em água alcalinas a amônia se encontra presente em maior proporção, na forma tóxica (NH3-).
4. SER LIVRE DE POLUENTES.
5. A QUANTIDADE de água (vazão/tempo) na estiagem é que irá determinar a quantidade de peixes que se pode criar. Para esse cálculo, são considerados além dos itens anteriores, as variáveis relacionadas ao arraçoamento. De uma forma bastante generalizada, pode-se dizer que para cada quilograma de peixe estocado deve ser fornecido 1 litro de água por minuto.

TANQUES
            Para possibilitar uma vazão constante nos tanques e também promover a sedimentação de partículas em suspensão, recomenda-se a construção de uma barragem de onde parte a canaleta de abastecimento. Do ponto de captação até o escoamento final o fluxo da água deve ser feito pela gravidade, evitando-se a utilização de bombas para o recalque.
 Para se otimizar o aproveitamento da água, todos os tanques e canaletas devem ser impermeabilizados.
            O número e o tamanho dos tanques vão variar de acordo com o escoamento de produção e com cada fase de cultivo.
            A forma do tanque que apresenta melhor resultado para esta criação é a circular, com escoamento central, pois além de favorecer a limpeza, impede a formação de espaços "mortos", isto é, sem circulação de água. Também podem ser utilizados os tanques retangulares. A altura média da água deve ser ao redor de 1 metro, entretanto, a profundidade pode ser aumentada nos casos em que se utiliza a suplementação de oxigênio.
           O fluxo de água deve ser constante, de forma a permitir uma renovação completa do volume de água contido no tanque a cada hora. Sempre que possível tanto o abastecimento como o escoamento devem ser independentes para cada tanque.
           A água servida na criação, antes de ser devolvida ao rio, deve ser lançada em uma lagoa de decantação com fundo de terra, cuja superfície deve ser de pelo menos 10% da área total em tanques, afim de minimizar o desequilíbrio ecológico do mesmo.

REPRODUÇÃO
           Quando confinadas em tanques as trutas não se reproduzem naturalmente, sendo portanto indispensável a intervenção do homem para o desempenho desse processo. A maturidade sexual á alcançada aos 2 anos de idade (peso mínimo de 500 g), quando encontram condições ambientais propícias, (temperatura da água ao redor de 10ºC e menor foto-período) e alimentação adequada.
           A reprodução artificial é conduzida através da coleta dos óvulos e do sêmen pela compressão abdominal e posterior fertilização "à seco" seguida de um período de incubação e alevinagem. Para tanto são necessários: água, instalações e cuidados apropriados e a manutenção do estoque de reprodutores. A vida útil de reprodução para fêmeas é de 3 anos consecutivos, enquanto que o macho geralmente só é empregado no primeiro ano reprodutivo, isto porque a proporção entre sexos é de 1 macho para cada 4 fêmeas. Para cada quilograma de fêmea se obtêm de 1500 a 2000 óvulos.
           O criador que realizar o processo da reprodução poderá explorar tanto a produção de ovos embrionados como a produção de alevinos.

ALIMENTAÇÃO/CRESCIMENTO
           As trutas iniciam a 1a alimentação na fase final da absorção do saco vitelínico, ou seja, cerca de 20 dias após a eclosão, ocasião em que apresentam o peso e o comprimento ao redor de 100mg e 2cm respectivamente. A ração deve ser específica para trutas (existente no mercado) com balanceamento nutricional adequado a cada fase de cultivo e granulometria ajustada ao tamanho dos peixes. A quantidade de ração fornecida ao dia, varia, principalmente, em função da temperatura e do tamanho do peixe, sendo calculado geralmente em percentual do peso vivo (PV) em cada tanque. Este percentual pode variar de 10% a 1% do PV ao dia, para o tipo seco (10% de umidade), sendo decrescente com o tamanho do peixe (TABELA 2).
           Peixes menores apresentam uma maior taxa de crescimento, portanto o reajuste da quantidade de ração deve ser feito a intervalos menores (a cada 14 dias).
           O tempo que a truta necessita para alcançar o peso comercial (250 a 350g) é variável para cada sistema de produção, podendo ser de 10 a 18 meses de cultivo. A velocidade de crescimento pode ser controlada pela manipulação da taxa de arraçoamento.
           A densidade de estocagem vai depender principalmente do teor de oxigênio dissolvido na água e do tamanho do peixe. Peixes menores tem maior atividade metabólica e conseqüentemente consomem mais oxigênio que os peixes em fase de acabamento (TABELA 3).
           Conhecendo-se a vazão de um caudal de água (litros/minuto) e o teor de oxigênio nele disponível (teor de oxigênio dissolvido medido menos 5,5 mg/l, que é o mínimo necessário) e considerando-se o consumo de oxigênio, pode-se determinar a quantidade de peixes a ser estocado.

LITERATURA RECOMENDADA
Para maiores esclarecimentos recomendamos
a leitura dos seguintes livros:

BLANCO CACHAFEIRO, M. C.  1995  La Trucha - Cria Industrial  2a ed. Ediciones Mundi-Prensa, Madrid, 503p.

ROBERTS, R. J. & SHEPERD, C. J.  1974  Enfermedades de la Trucha y del Salmon  Editorial Acribia, Zaragoza, España 187p.
 
  

Yara Aiko Tabata

Pesquisadora Científica


 
 
 
 

AQUISIÇÃO DE ALEVINOS
            Este Núcleo vende aos criadores ovos embrionados e alevinos de truta arco-íris, durante os meses de junho a agosto e de agosto a outubro respectivamente.
            Para maiores informações os interessados devem entrar em contato com o Núcleo Experimental de Salmonicultura do Instituto de Pesca

pelo telefone/fax (12) 3663-1021, 
pela Caixa Postal 361 CEP 12460-000 
Campos do Jordão - SP ou 
e-mail:  cjordao@aquicultura.br


 

TABELA 1 - SOLUBILIDADE DO OXIGÊNIO NA ÁGUA (mg/l)

 

pressão atmosférica (mm de Hg)

graus
Celsius

680

700

720

740

760

7

10,5

11,0 

11,0

11,5

11,5

8

10,5

10,5

11,0

11,0

11,5

9

10,0

10,5

10,5

11,0

11,0

10

9,8

10,0 

10,5 

10,5 

11,0

12

9,4 

9,6

9,9 

10,0 

10,5

14

8,9 

9,2

9,5

9,7

10,0

15

8,7 

9,0

9,2

9,5 

9,8

16

8,6 

8,8

9,1

9,3

9,6

18

8,2 

8,5

8,7

8,9

9,2

20

7,9 

8,1

8,4

8,8

8,8

21

7,8 

8,0

8,2

8,6

8,7

22

7,6 

7,9

8,1

8,5

 8,5

23

7,5 

7,7

7,9

8,3

8,3

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TABELA 2 - TAXAS DE ARRAÇOAMENTO EM % DO PESO VIVO

 

temperatura da água em ºCelsius

Comprimento

do peixe (cm)

4

6

8

10

12

14

16

18

até 3

3,0

 3,6

 4,2

 5,0

 5,8

 6,8 

 7,9 

 9,1

3 a 4

2,6

 3,1

 3,7

 4,4

5,1

5,8

6,7

 7,7

4 a 6

2,3

 2,7

 3,2

 3,8

4,5

5,1

5,9

 6,8

6 a 8

2,0

 2,3

2,7 

3,3 

3,9

4,4

5,1

5,9

8 a 10

1,7

2,0

2,3

2,8 

3,3

3,8

4,3

5,0

10 a 12

1,4

1,7

2,0

2,4

2,7

3,2

3,6

4,2

12 a 14

1,2

1,4

1,7

2,0 

2,3

2,6

3,0

3,5

14 a 16

1,0

1,2

 1,4 

1,6

1,9

2,2

2,5

2,9

16 a 18

0,8

1,0

1,2

1,4

1,6 

1,8

2,1

2,4

18 a 20

0,7

0,9

1,1

1,3

1,5 

1,7

1,9

2,1

> 20

0,5

0,6

0,7

0,8

1,0

1,2

1,4 

1,6


 
 
 


 

TABELA 3 - CONSUMO DE OXIGÊNIO PARA DIFERENTES TAMANHOS E TEMPERATURAS
(mg/Kg de truta / hora)

 

temperatura da água em ºCelsius

Peso

(gramas)

9

10

11

14

15

17

200

164,3

184,2

215,7

250,3

274,6

306,5

155

170,0

190,0

223,0

268,0

283,9

316,9

120

176,0

197,4

231,2

277,9

294,3

328,5

90

183,0

205,4

240,5

289,0

306,0

341,7

65

191,3

214,5

251,2

301,9

319,8

356,9

46

200,8

225,3

263,7

317,0

335,8

374,8

31

212,0

238,0

278,7

335,0

354,9

396,1

19

226,0

258,8

297,0

353,0

378,0

422,2

11

244,0

273,7

320,4

375,0

407,9

455,3

6,0

267,6

300,0

351,4

422,0

447,0

499,0

2,5

301,0

338,0

395,9

475,8

504,0

562,5

1,2

356,6

399,0

468,0

562,8

596,0

665,0

0,5

475,0

532,0

623,9

749,9

794,9

886,5