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Autores
Dr. JULIO VICENTE LOMBARDI 
Dr. HÉLCIO LUIS DE ALMEIDA MARQUES
Pesquisadores
Científicos do Instituto de Pesca (SP)
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RECOMENDAÇÕES
TÉCNICAS PARA A CRIAÇÃO DE CAMARÕES DA
MALÁSIA
Macrobrachium rosenbergii
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A
criação de camarões de água doce baseia-se principalmente na
espécie Macrobrachium rosenbergii (camarão da Malásia). A
engorda ou recria destes organismos é geralmente realizada em
viveiros escavados em solo natural. Dentro dos requisitos
técnicos considerados na seleção de áreas adequadas à
atividade destacam-se as condições de temperaturas elevadas
durante pelo menos 6 meses (média mensal acima de 20ºC),
disponibilidade de água de boa qualidade, situação
topográfica que compreenda inclinações não superiores a 2%,
solo predominantemente silte-argiloso (30 a 70%), etc. Além
destas disposições técnicas, as situações logísticas
também devem ser consideradas, quais sejam: estudo de mercado,
infra-estrutura local, acesso, mão de obra, etc. A recria
inicia-se a partir do povoamento dos viveiros com pós-larvas
(fases inicias obtidas através de um processo de manutenção
das larvas em instalações específicas – laboratórios de
larvicultura). A reprodução deste tipo de camarão tem início
na água doce. No entanto, as larvas desovadas pelas fêmeas
precisam ser mantidas em água salobra durante aproximadamente
40 dias, até que sofram a metamorfose, possibilitando a sua
liberação nos viveiros de água doce. O processo de
larvicultura é tecnicamente complexo. Embora possa ser
conduzido por pequenos produtores, recomenda-se aos iniciantes a
compra de pós-larvas de laboratórios comerciais para os
primeiros povoamentos dos viveiros de recria. A tecnologia de
recria de camarões pode ser definida em três sistemas, cujas
características diferenciais consideram a sua complexidade de
manejo:
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Sistema
monofásico
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Caracterizado pelo emprego de baixa tecnologia, cujos viveiros
escavados no solo (1.000 a 5.000 m²) são povoados com pós-larvas
recém metamorfoseadas na proporção que varia entre 8 a 10 pós-larvas/m².
O ciclo tem duração média de seis meses sem qualquer transferência
de viveiros.
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Sistema
bifásico
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Trata-se da manutenção das pós-larvas recém metamorfoseadas em
viveiros-berçário também escavados no solo (500 a 2.000 m²). As
pós-larvas permanecem nestes viveiros durante aproximadamente dois
meses, em densidades que variam de 70 a 200 pós-larvas/m². Em
seguida, os juvenis com peso médio de ±2,0 g são transferidos
para os viveiros de engorda, onde permanecem por mais
aproximadamente 4 meses, em densidades de 8 a 10 juvenis/m², sendo
despescados com peso médio de 25 a 30g.
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Sistema
trifásico
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Semelhante ao anterior, diferindo apenas pela consideração de uma
fase preliminar realizada em berçários primários, onde as pós-larvas
recém metamorfoseadas são estocadas em altas densidades (4 a 8 pós-larvas/Litro)
dentro de tanques de 5 a 35 m³ , construídos em concreto,
alvenaria, fibra de vidro, etc. Esta fase, também conhecida como pré-cultivo,
tem duração de 15 a 20 dias, cujos organismos com peso médio de
0,05 g são transferidos para os berçários secundários, seguindo
o manejo descrito no sistema bifásico.
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Manejo
alimentar
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Em todas as fases os camarões recebem alimentação artificial na
forma de ração balanceada e peletizada, cujos tamanhos das partículas,
quantidades e teores protéicos variam de acordo com a faixa de
tamanho dos camarões. Rações contendo 40 a 25% de proteína bruta
são fornecidas na proporção de 100 a 3% da biomassa total de
camarões, respectivamente para as fases inicias e finais de
cultivo. Esta diminuição nas proporções são gradativas ao longo
do tempo de cultivo. Os viveiros escavados no solo oferecem um bom
recurso de alimento natural, composto principalmente pela fauna bentônica
que compreende as formas larvais e adultas de invertebrados aquáticos.
A adubação química ou orgânica dos viveiros é periodicamente
praticada a fim de incrementar esta fauna.
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Manejo
hídrico
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A qualidade da água deve ser rigorosamente controlada para que as
condições ambientais se estabeleçam dentro dos padrões de exigência
dos camarões a fim de gerar maiores produtividades no cultivo.
Teores de oxigênio dissolvido, pH, temperatura e transparência são
parâmetros controlados diariamente nos viveiros, enquanto que,
dureza, alcalinidade e outros são monitorados semanalmente.
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Outros
manejos
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Amostragens quinzenais de camarões são realizadas para avaliar o
crescimento dos organismos e obter informações para o cálculo das
quantidades necessárias de ração. As despescas nos viveiros
de engorda iniciam-se sempre que uma boa parcela de camarões já
tenha atingido o tamanho comercial. Isto ocorre geralmente no 4o ou
5o mês de ciclo total (berçário + engorda), cuja captura dos
organismos é feita através de arrasto com rede seletiva. As
despescas seletivas são realizadas a cada 20 dias aproximadamente.
Em cada viveiro de engorda se promove em média 2 a 4 dessas operações.
Ao final do processo, geralmente após seis meses de recria,
efetua-se uma despesca total, operação em que o viveiro é
totalmente drenado e todos os camarões são capturados.
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Produtividade
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Os valores de produtividade desta atividade variam de acordo com a
situação climática regional e com o tipo de sistema de cultivo
empregado (monofásico, bifásico ou trifásico). Geralmente,
produtividades variando entre 1.000 a 3.000 Kg/ha/ano são
observadas nos empreendimentos comerciais em operação no Brasil.
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Viabilidade
econômica
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O investimento inicial com instalações gira em torno de R$ 20.000,00 para
cada hectare de lâmina d’água de projeto. O custo operacional varia
entre R$ 5,00 a R$ 8,00 para cada quilograma de camarão produzido. O
valor de venda entre R$ 15,00 a R$ 25,00 varia de acordo com o padrão do
produto e tipo de mercado (atacado ou varejo). O mercado consumidor é
bastante diversificado, podendo-se citar as redes de supermercados,
hotéis, restaurantes e lojas especializadas em pescados. Trata-se de um
produto nobre, com excelente aceitação nos mercados interno e externo.
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