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HISTÓRICO
DA RANICULTURA NACIONAL
Dorival Fontanello
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Cláudia Maris
Ferreira
Pesquisadores Científicos do
Instituto de Pesca - SP
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Vantagens
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Desde 1935 com a importação de
300 casais de Rana catesbeiana
(rã-touro), por Tom Cyrril Harison,
a ranicultura no país vem se solidificando dentro do contexto nacional
apresentando as seguintes características:
1º - O desenvolvimento da
rã-touro no Brasil é superior ao de seu país de origem (EUA). Esta
afirmativa apoia-se no desempenho da mesma para
as condições brasileiras que, em média, não ultrapassa 4
meses de duração para as fases de girino e de engorda.
2º - Desde a sua importação ela
tem demonstrado uma ótima capacidade de adaptar-se aos diferentes regimes
climáticos brasileiros, bem como, aos diferentes manejos físicos e
alimentares típicos de cada região, o que permite que se recomende o seu
cultivo nacionalmente. Este fato deve-se a sua alta rusticidade, bem como
ao fato de que raríssimas ocorrências têm se registrado, sob o aspecto
patológico, com a morte de rãs em caráter epidêmico.
3º - Destaca-se também a ausência
quase que total (0,5 %) de gordura intercelular, livrando seus consumidores
do seu acúmulo nos vasos sangüíneos, evitando-se dessa forma as
enfermidades decorrentes desse fato (e.g. acúmulo de colesterol
indesejável, com suas conseqüências). Acrescenta-se que a carne de rã
(atualmente) está sendo recomendada por médicos na dieta de crianças com
problemas alérgicos gastrointestinais, pois
segundo observações, ela corrige essa sensibilidade.
4º - A comercialização da carne
de rã fora do Brasil, em sua grande maioria, é proveniente de sua caça
predatória. O Brasil é pioneiro no cultivo intensivo desses animais e
acreditamos que esse fato deva servir para reflexões futuras, uma vez que
os estoques naturais tendem a baixar devido a uma demanda sempre crescente.
Ressalta-se que em virtude da consciência ecológica existente atualmente já
foram elaboradas leis que proíbem a caça predatória, o que deverá favorecer
o consumo de carne de rãs criadas em cativeiro.
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Histórico
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A partir de 1940, a Divisão de Caça
e Pesca do antigo Departamento da Produção Animal, iniciou o fomento e a
extensão na área da Ranicultura, através da distribuição gratuita de
girinos reprodutores aos interessados. Este serviço estendeu-se até o
momento em que os criadores passaram a comercializar esses animais e
solicitaram à referida Divisão que não mais os distribuíssem, pois já
existia um comércio entre criadores, e o Estado estava concorrendo com os
mesmos.
Em 1970, ocorreu a reestruturação da Secretaria de Agricultura e
Abastecimento, e a Divisão de Caça e Pesca, passou a integrar o elenco das
instituições destinadas exclusivamente a pesquisa técnico-científica. Em
1977 o Instituto de Pesca através de sua Diretoria Técnica (Dr. Albino
Joaquim Rodrigues) criou em caráter oficioso o atual Setor de Ranicultura
do Instituto de Pesca. Desde então, a filosofia e a linha de pesquisa,
adotada pelos técnicos integrantes do Setor de Ranicultura foi, e continua sendo, o aprimoramento dos parâmetros zootécnico da Rana catesbeiana, a fim de
contribuir para o melhoramento dos cultivos intensivos.
Ao lado das pesquisas
desenvolvidas, o Setor de Ranicultura, continuou a participar das
atividades de fomento, em razão do grande número de interessados e, também
por não existir no Estado de São Paulo, um órgão especializado que o
fizesse.
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Atividades de Fomento
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Participação nos cursos mensais
de “Introdução a Ranicultura” realizados pela Associação Brasileira de
Criadores de Rã (ABCR) de até 1998.
Realização de cursos de
“Introdução a Ranicultura”, “Atualização em Ranicultura” e “Dias de Campo”,
através do Instituto de Pesca, fornecendo informações técnicas, capacitação
e treinamento aos interessados na atividade.
Participação em Seminários,
Congressos, Encontros Regionais, Nacionais e Internacionais de Ranicultura,
ministrando palestras com apresentações de resultados de pesquisa.
Atendimento e
esclarecimento ao público interessado.
Doações de animais para Escolas,
Universidades (USP, UNESP, etc.), Instituições de Pesquisa (INCOR,
BUTANTAN, ZOOLÓGICO/SP).
Formação e treinamento de
estudantes através do oferecimento de estágios supervisionados para
estudantes e técnicos de áreas afins.
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Recursos Humanos
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Fizeram parte do corpo técnico do
Setor de Ranicultura do Instituto de Pesca desde sua criação em 1977 os
seguintes Pesquisadores Científicos:
1 - José Marques dos Reis -
Médico Veterinário - Pesquisador Científico V
2
- Luis Antônio Penteado - Médico Veterinário - Pesquisador Científico V
3
- Henrique Arruda Soares - Biólogo - Pesquisador Científico V
4 - José Mandelle Júnior Médico - Pesquisador
Científico V
5
- Dorival Fontanello - Médico Veterinário -
Pesquisador Científico V
6
- Ricardo Roberto Wirz – Eng. Agrônomo -
Pesquisador Científico II
Atualmente o Setor de Ranicultura
tem em seu corpo técnico a Pesquisadora Científica Nível III (Bióloga)
Cláudia Maris Ferreira .
A equipe de Apoio Científica e Tecnológica é formada por Andréa Galvão César
Pimenta (Técnica em Química), por João Simões Paiva Neto (Biólogo) e por
auxiliares de campo contratados ocasionalmente.
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Conclusões e Agradecimentos
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Os pesquisadores científicos do
Setor de Ranicultura do Instituto de Pesca publicaram ao longo desses anos,
22 trabalhos científicos diretamente voltados para o estabelecimento das
características zootécnicas da rã-touro. Ele possui também inúmeros resumos
científicos e artigos de divulgação, abrangendo diferentes áreas do
conhecimento técnico-científico como manejos físicos e alimentar nas fases
de girinagem e de engorda, reprodução,
melhoramento animal, manejo profilático, hematologia e toxicologia. Estes
trabalhos encontram-se a disposição dos interessados no Instituto de Pesca,
bem como nas principais bibliotecas nacionais e internacionais.
Sabemos que atividade necessita
ainda de alguns ajustes. Faz-se necessário o aumento do incentivo
governamental (fiscal e financeiro), maior atenção dos órgãos públicos,
ativação de pesquisas, técnicos especializados e produtores dispostos a
encarar esse ramo de atividade com maior profissionalismo. Ao mesmo tempo,
acreditamos que o Setor de Ranicultura vem cumprindo com a sua missão de
pesquisa, fomento e extensão, auxiliando a manter o Brasil na vanguarda da
criação de rãs. Entretanto, todos as conquistas
alcançadas são oriundas da somatória de esforços de pesquisadores, técnicos
e produtores e, desta forma expressamos aqui os agradecimentos a todos que
de uma maneira ou outra nos auxiliaram nesse processo.
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