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Toxicologia Aquática tem sido definida como o estudo dos efeitos adversos de
agentes químicos e de outros produtos de natureza alheia ao ambiente sobre os
organismos aquáticos. Tais estudos podem ser conduzidos através de bioensaios
(testes experimentais de metodologias distintas), estabelecidos de acordo com os
diversos objetivos que se procuram alcançar nestas avaliações. Os bioensaios
de Toxicologia Aquática figuram como importante ferramenta para avaliação da
sensibilidade de organismos aquáticos a poluentes e medicamentos e se resumem
em testes de toxicidade aguda e crônica, que representam a base dos estudos
científicos nesta complexa área. Os conhecimentos gerados nestes testes podem
viabilizar medidas legais que normatizam o uso de fontes de águas naturais,
assim como fornecer dados essenciais para a homologação e etiquetagem de
produtos químicos utilizados na agricultura em geral. Testes de toxicidade
aguda são experimentos de curta duração que proporcionam rápidas respostas
na estimativa dos efeitos tóxicos letais de produtos químicos sobre organismos
aquáticos. Seu principal objetivo é determinar as Concentrações Letais Médias
(CL50) em tempo reduzido
de exposição, que geralmente varia entre 24 a 96 horas. A CL50 é
definida e padronizada como a concentração do agente tóxico que causa 50% de
mortalidade na população de organismos submetidos ao teste.
Os testes desta natureza disponibilizam informações básicas para
outros estudos mais criteriosos como os testes de toxicidade crônica e avaliação
de risco ecotoxicológico. Testes de toxicidade crônica são experimentos de
longa duração, que visam ao estudo dos efeitos não letais nos organismos aquáticos,
a partir da sua exposição prolongada a concentrações sub-letais. Estes
efeitos são geralmente avaliados através de análises específicas (histológicas,
hematológicas, comportamentais, etc.), utilizadas para a detecção de alterações
crônicas, tais como: distúrbios fisiológicos, deformidades em tecidos somáticos
e/ou gaméticos, alterações no crescimento e reprodução do organismo, dentre
outras. A avaliação de risco ecotoxicológico consiste basicamente na comparação
entre as Concentrações Letais Medias (CL50) e/ou crônicas de um
determinado xenobiótico para diversos grupos de organismos aquáticos e as suas
concentrações ambientais esperadas (CAE). A CAE depende diretamente da
quantidade do produto que atinge o ecossistema aquático após o processo de
degradação e carreamento para fora da área de aplicação “runoff”. A
grande dificuldade de um estudo de risco ecotoxicológico está na estimativa da
CAE, uma vez que envolve inúmeros fatores que dificultam a elaboração de cálculos
precisos. Alguns desses fatores estão relacionados com as características do
produto (propriedades físico-químicas e poderes de solubilidade, volatilização
e adsorção), que determinam a degradação deste no meio.
A padronização da metodologia utilizada nos estudos de Toxicologia Aquática
é imprescindível para que uma determinada pesquisa possa dar subsídio a
outras de caráter corroborativo ou contestativo.
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