Pesquisador  - Julio Vicente Lombardi
 

 

FUNDAMENTOS DE TOXICOLOGIA AQUÁTICA

Dr. Julio Vicente Lombardi 

Pesquisador Científico - Instituto de Pesca - SP

 

 
 

 

A Toxicologia Aquática tem sido definida como o estudo dos efeitos adversos de agentes químicos e de outros produtos de natureza alheia ao ambiente sobre os organismos aquáticos. Tais estudos podem ser conduzidos através de bioensaios (testes experimentais de metodologias distintas), estabelecidos de acordo com os diversos objetivos que se procuram alcançar nestas avaliações. Os bioensaios de Toxicologia Aquática figuram como importante ferramenta para avaliação da sensibilidade de organismos aquáticos a poluentes e medicamentos e se resumem em testes de toxicidade aguda e crônica, que representam a base dos estudos científicos nesta complexa área. Os conhecimentos gerados nestes testes podem viabilizar medidas legais que normatizam o uso de fontes de águas naturais, assim como fornecer dados essenciais para a homologação e etiquetagem de produtos químicos utilizados na agricultura em geral. Testes de toxicidade aguda são experimentos de curta duração que proporcionam rápidas respostas na estimativa dos efeitos tóxicos letais de produtos químicos sobre organismos aquáticos. Seu principal objetivo é determinar as Concentrações Letais Médias (CL50) em  tempo reduzido de exposição, que geralmente varia entre 24 a 96 horas. A CL50 é definida e padronizada como a concentração do agente tóxico que causa 50% de mortalidade na população de organismos submetidos ao teste.  Os testes desta natureza disponibilizam informações básicas para outros estudos mais criteriosos como os testes de toxicidade crônica e avaliação de risco ecotoxicológico. Testes de toxicidade crônica são experimentos de longa duração, que visam ao estudo dos efeitos não letais nos organismos aquáticos, a partir da sua exposição prolongada a concentrações sub-letais. Estes efeitos são geralmente avaliados através de análises específicas (histológicas, hematológicas, comportamentais, etc.), utilizadas para a detecção de alterações crônicas, tais como: distúrbios fisiológicos, deformidades em tecidos somáticos e/ou gaméticos, alterações no crescimento e reprodução do organismo, dentre outras. A avaliação de risco ecotoxicológico consiste basicamente na comparação entre as Concentrações Letais Medias (CL50) e/ou crônicas de um determinado xenobiótico para diversos grupos de organismos aquáticos e as suas concentrações ambientais esperadas (CAE). A CAE depende diretamente da quantidade do produto que atinge o ecossistema aquático após o processo de degradação e carreamento para fora da área de aplicação “runoff”. A grande dificuldade de um estudo de risco ecotoxicológico está na estimativa da CAE, uma vez que envolve inúmeros fatores que dificultam a elaboração de cálculos precisos. Alguns desses fatores estão relacionados com as características do produto (propriedades físico-químicas e poderes de solubilidade, volatilização e adsorção), que determinam a degradação deste no meio.  A padronização da metodologia utilizada nos estudos de Toxicologia Aquática é imprescindível para que uma determinada pesquisa possa dar subsídio a outras de caráter corroborativo ou contestativo.