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ANÁLISES
COMPLEMENTARES OBTIDAS A PARTIR DE TESTES DE TOXICIDADE AQUÁTICA
Cláudia Maris Ferreira
Pesquisadora Científica - Instituto de
Pesca- APTA/SAA
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I. Considerações
Gerais
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Os testes de toxicidade aquática têm sido
cada vez mais utilizados para a determinação de efeitos deletérios em
organismos aquáticos, em virtude, principalmente, do potencial risco da
transferência de poluentes do ambiente para os organismos e da avaliação da
qualidade da água sobre os mesmos. Os estudos que envolvem esta área podem ser
conduzidos através de testes experimentais com metodologias distintas,
estabelecidas de acordo com os objetivos que se procuram alcançar nessas avaliações.
Os testes de toxicidade crônica dependem
diretamente dos resultados dos testes de toxicidade aguda, uma vez que as
concentrações subletais são calculadas a partir da CL50.
Entretanto, após um teste de toxicidade aguda costuma-se utilizar, por motivos
de segurança, a CL50 de menor valor no maior tempo. Desta forma, ao
recomendar-se a dosagem de um determinado produto consegue-se trabalhar de uma
forma mais criteriosa, pois, os testes de toxicidade aguda são conduzidos em
laboratório desconhecendo-se as possíveis interações sinérgicas ou antagônicas
dos produtos quando lançados no ambiente.
As
concentrações subletais de produtos tóxicos no ambiente aquático podem não
necessariamente resultar em mortalidade imediata dos organismos. Entretanto,
elas têm significantes efeitos sobre os indivíduos provocando, muitas vezes,
inúmeras disfunções fisiológicas. Devido
as grandes variações na sensibilidade aos contaminantes apresentadas pelos
diferentes grupos de animais, conforme o tipo de teste escolhido e seu propósito,
pode-se constatar a letalidade do produto testado, ou verificar seus efeitos
subletais, que muitas vezes manifestam-se atingindo as estruturas celulares do
organismo de forma molecular e bioquímica ou mesmo no próprio material genético.
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II. Análises complementares obtidas a partir de Testes de Toxicidade Aguda e
Crônica
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De maneira geral, durante um teste de toxicidade aguda, avalia-se a mortalidade ou
sobrevivência dos organismos, alterações de comportamento (forma de natação,
distribuição na coluna d’água, paralisação e letargia) e, aspectos biométricos
relativos ao ganho de peso e crescimento dos organismos.
Além destas análises pode-se ainda realizar outras análises
complementares, dependendo principalmente da biomassa do organismo, das condições
ideais para sua manutenção em laboratório e do custo da experimentação. As
análises rotineiramente empregadas em testes de toxicidade crônica são as de
bioacumulação, hematológicas, histológicas, parasitológicas e de
genotoxicidade.
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III.
Considerações Finais
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Os trabalhos de bioensaios com testes “in vivo” ou com exposição “in
situ” de animais, utilizando amostras de sangue e tecido para análises
complementares, são importantes ferramentas de rastreamento para testes toxicológicos
e monitoramento ambiental. Entretanto, são poucos os trabalhos encontrados na
literatura a esse respeito. Em relação a toxicidade dos metais pesados se
situações de carência levam à deficiência, situações de suplementação
resultam em ótimas condições para o organismo, porém o excesso resulta em
efeitos tóxicos ou mesmo na morte.
Existe uma grande dificuldade de se avaliar o potencial tóxico de misturas complexas, tais como,
as provenientes de águas poluídas por dejetos orgânicos. Em águas de rios e
represas deve-se sempre levar em consideração a diluição pontual dos xenobióticos
oriunda das águas de contribuição, as relações antagonistas entre as substâncias,
a rápida associação que ocorre entre a maioria das partículas e a matéria húmica,
e a deposição de sólidos em suspensão que se depositam no sedimento. Ao
mesmo tempo, incentiva-se o uso de testes in vivo com organismos aquáticos,
pois esta metodologia traduz-se em uma das melhores maneiras de se avaliar os
riscos ambientais, e dar uma resposta global da atuação de todos os químicos
presentes no meio sobre os organismos aquáticos.
Finalizando,
vários autores salientam a importância da realização de testes de toxicidade
com organismos aquáticos, considerando-os como uma maneira de alertar para um
possível problema ambiental, uma vez que os xenobióticos podem ser
transmitidos indiretamente a outros organismos. Enfatizam ainda, que os relatos
de efeitos teratogênicos, mutagênicos e especialmente carcinogênicos, embora
até o momento dificilmente confirmados por dados clínicos ou epidemiológicos
na espécie humana, justificam a necessidade da realização de testes toxicológicos
rigorosos, a execução de análises a partir de material biológico e, a
complementação dos dados através de projetos de biomonitoramento no campo. A
execução simultânea de tais procedimentos auxiliaria a detecção de agentes tóxicos na água, que por sua vez, desempenham efeitos,
mesmo que sutis sobre espécies não aquáticas, incluindo os seres humanos,
seja por meio do consumo de água, ou através da cadeia alimentar.
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